Talidomida como terapia adjuvante em um caso de úlcera esofágica idiopática associada ao HIV
DOI:
https://doi.org/10.66004/2764-734X.e20260675Palavras-chave:
Infecções Oportunistas Relacionadas com a AIDS, Doenças do Esôfago, Talidomida, Relato de CasoResumo
A úlcera esofágica idiopática associada ao HIV é uma manifestação rara da imunossupressão avançada, sem conduta terapêutica bem estabelecida. Relatamos o caso de uma paciente de 19 anos com dor epigástrica, odinofagia e perda ponderal, cuja endoscopia identificou úlcera extensa no esôfago distal. A biópsia desta lesão foi inespecífica e em meio a exames sorológicos constatou-se infecção pelo HIV. A contagem de células CD4 no sangue foi de 5 células/µL e logo foi iniciada terapia antirretroviral. Uma segunda endoscopia revelou piora do processo inflamatório e da úlcera esofágica e, apesar de não se ter estabelecido um diagnóstico etiológico, optou-se pelo tratamento empírico com ganciclovir substituído depois por foscarnet. A ausência de melhora clínica mesmo depois de duas semanas de tratamento motivou novo exame cujos achados endoscópicos evidenciaram piora ainda mais acentuada da lesão, com biópsias igualmente inconclusivas. Cogitou-se, assim, o diagnóstico de úlcera idiopática associada ao HIV (agravada ou não por uma possível síndrome de reconstituição imune) e decidiu-se pela introdução de 100 mg/dia de talidomida. Decorridas quatro semanas, houve resolução clínica e cicatrização endoscópica completa, ratificando o papel imunomodulador e anti-inflamatório da talidomida como uma possível terapia adjuvante neste tipo de situação sem comprovação da causalidade.
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